quinta-feira, 9 de junho de 2016

Da Essência do Bom Combate



O Guerreiro acordou no meio da noite, a lua brilhava forte lá fora, e sua luz iluminava tenuamente o corpo ao seu lado. Virou-se e ficou maravilhado com a suave claridade refletindo naquele corpo, o corpo de uma mulher, da sua esposa. Lembrou-se que ela, à sua maneira, também era uma Guerreira. Lutava todos os dias para manter o lar, cuidar dos seus filhos, deixar tudo pronto para que pudessem estar em paz a noite, e mesmo assim não deixava seus sonhos para trás. Tudo acontece ao seu tempo, e o tempo dela estava chegando, assim como o seu havia chegado.


Neste momento, lembrou-se das palavras de seu mestre; “A essência da vida está justamente em se viver. Preocupando-se somente com uma coisa, ‘estou sendo fiel a mim mesmo? Estou lutando o bom combate? Estou seguindo meus sonhos? Minha verdadeira vontade? Estou buscando realizar minha lenda pessoal?’ Quando vive levando em consideração a realização plena de seus sonhos, de sua verdadeira vontade, de sua lenda pessoal, você está cravando no seio da terra a marca de seu destino, e é essa a marca que fará com que seu nome seja lembrado pela eternidade.”


Neste momento, como numa tela de cinema, sua vida passou diante de seus olhos, desde os sonhos da infância, o duro início da vida adulta, a iniciação nos mistérios e na guerra, a alquimia que agora executava plenamente todos os dias, a arte, seus quadros e desenhos, magicamente executados de maneira a colocar no papel toda a semente da alma, e sentiu-se satisfeito, havia lutado o bom combate. Havia cravado sua marca.


Um forte emoção o invadiu, e lágrimas rolaram de seus olhos marejados. Afagou o rosto e os cabelos da mulher, que dormia um sono tranquilo, daqueles que dormem sabendo que estão protegidos. Disse baixinho em seu ouvido que a amava. Fechou os olhos e deixou-se levar pelo torpor do sono dos justos.


Marco Antonio Damaceno.
















sexta-feira, 29 de abril de 2016

Exercício de Criação do Blog "Gambiarra Literária"

No intuito de melhorar minha escrita e narrativa, e procurando na internet algo que pudesse me ajudar nisso, me deparei com o blog "Gambiarra Literária - http://gambiarraliteraria.blogspot.com.br/".

Lá tem uma série de propostas de escritas, do tipo "desafio literário", era bem o que estava procurando.

E como todo bom estudioso, vamos começar do primeiro exercício.

Eu deveria me fixar na imagem abaixo, e a partir da observação de seus detalhes compor algum texto, sem distinção de estilo.

Abaixo da imagem, está o resultado.

O que acharam?



Resultado:

Quando a vi pela primeira vez, ela estava bem ali, no finalzinho daquela ruazinha italiana linda, com ares medievais.
Parece que foi ontem.

Tinha passado um mal bocado durante o dia, estafante, no trabalho. Não desejava mais do que uma boa taça de vinho, ao por do sol, na cantina da Dona ‘Ana.

Quando a vi, ela estava recolhendo as roupas no parapeito  do sobrado bem na esquina da ruazinha... Ah! Como me lembro.

Foi como se um verdadeiro raio tivesse me atravessado de ponta a ponta.

As plantas passaram a ter uma cor tão viva quanto o mais belo dos arco-íris, das casas ao redor subia aquele cheiro maravilhoso da comida que estava por sair.

Olhei para a porta da taverna do Dom Betto, me senti um verdadeiro cavaleiro ou príncipe, que em seu cavalo sai em disparada para salvar a princesa no alto da torre.

O som dos sapatos nos ladrilhos ressoava com as batidas do meu coração.

Olhei para cima, em busca daquela rara beleza, e então, como num passe de mágica, num doce sussurro da brisa do entardecer, ela se virou e nossos olhos se encontraram.

Um longo hiato, daqueles que entorpecem até a mais forte alma, me arrebatou.

Sim... Foi amor à primeira vista.




terça-feira, 22 de março de 2016

O conceito de Verdadeira Vontade dentro da Tradição Tolteca

A Tradição Tolteca foi bastante divulgada através dos escritos do Carlos Castaneda, e dentro desta, encontramos muitos dos conceitos  de outras tradições, sobretudo com um jeito ou uma visão nova sobre aquele assunto.

A citação a seguir nos trás o conceito de Verdadeira Vontade. É um pouco longa, mas vale a pena ler e refletir a respeito.

M.

“- O que exatamente é a vontade? É a determinação, como a determinação de seu neto Lúcio de ter uma motocicleta?
- Não – respondeu ele, baixinho dando uma risada. – Isso não é vontade. Lúcio só tem caprichos. A vontade é outra coisa, uma coisa muito clara e poderosa, que pode dirigir os nossos atos. A vontade é uma coisa que o homem usa, por exemplo, para vencer uma batalha que ele, por todos os cálculos, deveria perder.
- Então a vontade deve ser o que chamamos coragem – disse eu.
- Não. A coragem é outra coisa. Os homens de coragem são homens de confiança, nobres, constantemente rodeados por pessoas que ficam em volta deles e os admiram; no entanto, muito poucos homens de coragem têm vontade. Geralmente são homens destemidos, que são dados a praticar atos audaciosos de bom senso; a maioria das vezes, um homem corajoso é também atemorizador e temido. A vontade, por outro lado, trata de façanhas surpreendentes, que desafiam nosso bom senso.
- A vontade é o controle que podemos ter sobre nós mesmos? – perguntei.
- Pode-se dizer que é um tipo de controle.
- Acha que posso exercer minha vontade, por exemplo, negando-me certas coisas?
- Assim como fazer perguntas? – interrompeu ele.
Falou aquilo num tom tão malandro que tive de parar de escrever para olhar para ele. Nós dois rimos.
- Não – disse ele. – Negar-se é uma indulgência, e não recomendo nada disso. É por este motivo que deixo você fazer todas as perguntas que quiser. Se lhe mandasse parar de fazer perguntas, você poderia estrupiar sua vontade, tentando fazer isso. A indulgência de negar é de longe a pior; obriga-nos a crer que estamos fazendo grande coisa, quando, na verdade, só estamos fixados dentro de nós mesmos Parar de fazer perguntas não é o tipo de vontade que estou falando. A vontade é um poder. E como é um poder, tem de ser controlada e afinada, e isso leva tempo. - ... – Nossa vontade opera apesar de nossa indulgência...
...O que o feiticeiro chama de vontade é um poder dentro da gente. Não é uma idéia, nem um objeto, nem um desejo. Parar de fazer perguntas não é vontade porque precisa pensar e desejar. A vontade é o que pode fazê-lo vencer quando seus pensamentos lhe dizem que você está vencido. A vontade é o que o torna invulnerável. A vontade é o que faz um feiticeiro atravessar uma parede; o espaço; ir até a Lua, se ele quiser.
… Um feiticeiro usa sua vontade para perceber o mundo. Essa percepção, contudo, não é como ouvir. Quando olhamos para o mundo, ou quando o ouvimos, temos a impressão de que está lá e que é real. Quando percebemos o mundo com a nossa vontade, sabemos que não está tão ali, ou que não é tão real quanto pensamos.
- A vontade é o mesmo que ‘ver’?
- Não. A vontade é uma força, um poder. Ver, não é uma força, e sim uma maneira de penetrar nas coisas. Um feiticeiro pode ter uma vontade muito forte e, no entanto, pode não ver; o que significa que somente um homem de conhecimento percebe o mundo com seus sentidos e com sua vontade, e também ‘vendo’.”- Carlos Castaneda (Uma Estranha Realidade)

#vontade #verdadeiravontade #destino #lendapessoal #sonhos #conquista #castaneda #carloscastaneda #xamanismo #tolteca


quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Minhas aventuras como Pintor iniciante

Quem me conhece sabe que desde criancinha sei desenhar. Cresci desenhando, desenhava de tudo, principalmente caveiras e morcegos (Passei por sérios apuros na época do pré e primeiro ano).
Porém, conforme fui crescendo, talvez pelo interesse por diversos outros assuntos, na época em que terminei o segundo grau técnico (Desenho de Comunicação - Carlos de Campos -1992 a 1996), comecei a trabalhar com computadores, e como consequência, acabei abandonando a prática do desenho.

Mesmo assim, vez ou outra fazia um desenho aqui, outro ali, as pessoa me pediam e assim fui levando. Desenhava também quando ia tatuar (na época em que aprendi, até hoje).

Ano passado cresceu em mim um enorme desejo de voltar às raízes e ir além, cresceu em mim o desejo de sonhar novamente em ser um pintor. Sim, sempre fui apaixonado pela pintura. Sou fascinado pelo retrato, seja de busto ou nú artístico. Sou fascinado também pelo Vanitas e pela natureza morta. Mas também não deixaria de lado a paisagem.

Consumido por essa "Vontade", um belo dia voltei a desenhar, de verdade. Montei um cavalete no meio da sala e me pus a trabalhar. O resultado não me agradou muito no final, afinal, fui meio apressado, não ficando o tempo necessário em cada parte do desenho. Mas, ainda sim não desisti... 

Logo depois me desafiei a fazer um desenho por dia, durante trinta dias, começava aí o desafio do desenhista.

O resultado do desafio vocês podem conferir aqui:

https://www.pinterest.com/madsantana/desafio-do-desenhista-2014/

Mas, a vontade de pintar crescia cada vez mais. Tentei uma vez. Mandei logo de cara um retrato duplo, de um casal do qual sou padrinho de casamento. Confesso que foi um desastre total.

Pensei em desistir, mas não sou tão fácil de dobrar assim. Então (já que os cursos são muito caros), empreendi uma pesquisa massiva sobre o tema, inclusive na faculdade (Artes Visuais - Unicid), assistindo vídeos e lendo livros e artigos sobre a pintura em tela e suas diversas técnicas. Comprei material, muito material mesmo, entre telas e pincéis, tintas e godês. Mas ainda sim, nada saía. Fiz mais alguns trabalhos, desenhos, a lápis ou carvão.

Até que esta semana resolvi que vou praticar, custe o que custar.... E assim está nascendo a minha PRIMEIRA tela, minha primeira pintura.

As fotos estão aí. Usei como referência a foto de um amigo, o Tiago Snagov, já que é PB, fica ótima pra treinar os valores tonais, a luz e a sombra.

Objetos na mesa do trabalho - 2015

O Olho - 2015

Tatiane - Estudo em Carvão - 2015

Homenagem a Roberto Bolanos - 2014

Estudo de Nu e Pintura Digital - 2014

O dia em que voltei a desenhar, depois de quase 20 anos sem o fazer. 10/05/2014

Vlad Snagov - ost - 20x30 - 2015 - Finalizado.

Primeira Tela, fase 1. Vlad Snagov - ost - 20x30 - 2015 - em andamento.

Primeira Tela, fase 2. Vlad Snagov - ost - 20x30 - 2015 - em andamento.

Estou usando tinta óleo, sem diluentes, esqueci de aplicar uma base na tela, o que está me rendendo certa dificuldade. Mas, o que é mais importante, está saindo. Hoje, pretendo consertar os olhos e o nariz, dei uma errada básica, coisa de principiante mesmo.

Mas, estou animado. Logo estarei pintando como Roberto Ferri ou Botticelli. Mas, por enquanto... curtam as fotos.


quinta-feira, 26 de março de 2015

2015 - Ano da Realização

Dia 31 de Março, terça-feira que vem, completarei 37 Outonos neste corpo, nesta terra... E decidi que este, já que é um ano regido por Marte, será o ano da realização.

E comecei tirando do papel e colocando as engrenagens do destino para girar em diversos aspectos da minha existência.

Um deles, é a Farmácia Caseira, para praticar a Espagíria (ou Alquimia Vegetal), mais conhecida como a Circulação Menor, da arte da Alquimia. Disciplina que tenho estudado a pelo menos uns 20 anos, mas sempre na teoria. Agora, é hora de aplicar estes conhecimentos para produzir algo útil.


Aqui uma pequena amostra das matérias primas

Neste pequeno espaço (ainda falta adquirir algumas vidrarias, destiladores e outros utensílios) pretendo produzir, após o devido estudo e análise, meus próprios remédios caseiros, elixires, dentre outros compostos.

Outro sonho (e isso acho que já estava no sangue, tamanha facilidade com a qual estou lidando com isso) era produzir meus próprios vinhos, seja para consumo próprio, seja para degustar com os amigos, família e pessoas especiais, seja para vender a quem se interessar (vai que rola, né?).

Depois de uma tentativa frustrada a uns 5 anos, agora decidi - munido de mais pesquisa - tentar novamente a experiência, e desta vez, está fluindo tudo perfeitamente.

Na foto abaixo, vocês podem ver um Vinho, de uva mesmo (na garrafa mais escura), um fermentado de laranja (ou vinho de laranja), na garrafa mais clara, e na menor, um fermentado de jabuticaba, este, utilizando como matéria prima, frutas colhidas na casa da minha irmã.

Vinho, e Fermentado de Laranja e Jabuticaba

Devo dizer que esta experiência, verdadeira prática alquímica, está mexendo com todo meu ser ,tanto interior, quanto exteriormente. E o rigor e disciplina exigidos na paciência e cuidados com a fermentação, tem sido um dos melhores e mais potentes exercícios espirituais que eu poderia estar praticando.

E, para terminar, outras das inúmeras coisas que decidir realizar este ano é a fabricação de Hidromel, de modo artesanal, como os vinhos. E não é que está dando certo?

Na foto abaixo, está meu primeiro Hidromel... ainda não decidi o nome, mas já sinto que será um delicioso néctar.

Hidromel (JAOM) no início da fementação

Mais uma vez, foi e está sendo uma das melhores experiências da minha vida, e o mais interessante e empolgante nisso tudo, é poder compartilhar destes momentos com a minha família.

No próximo mês pretendo dar continuidade produzindo mais alguns litros tanto de Hidromel, quanto de Vinho, porém no caso do vinho, vou selecionar umas uvas específicas.

Nós (eu, minha esposa e filhos) temos ainda muitos outros planos para realizar neste ano e nos próximos e a medida em que as coisas forem acontecendo, postaremos tudo aqui.

É isso...

Tenham todos uma semana abençoada!

M.´.



quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Sobre a Fome

"Você minha criança da noite, somente você fez a pergunta pertinente sobre a fome e como ela age.
Vou tentar, utilizando minha própria experiência de vida explicar o que ela é.
A fome é sazonal, e vem em épocas, como as folhas que caem no outono, o cio da loba ou a recaída do dependente.
Porém devo dizer que estes da nova safra, que “despertaram” - odeio esta palavra - e que utilizam somente a mente e o corpo astral para se alimentarem, ah minha doce criança, estes nunca saberão o que de fato é a fome.
Pois a fome vem somente para aqueles que de certa forma foram tocados pelo queimar do doce beijo da morte e tiveram suas almas usurpadas pelo demônio.
Como é doce o gosto do sangue...
E ainda sim, poucos são, de fato, aqueles que sendo atingidos por ela, saberão utilizá-la, realizando aquela alquimia, da qual já falei, a alquimia da carne e do sangue, do sexo e da alma.
Para mim, vem com os primeiros sinais da primavera e do verão. E por isso, caço e me alimento no calor das noites de lua cheia. É uma preferência, como todo caçador tem a sua, eu tenho a minha.
Mas, acho que devo me deter por aqui, pois, minhas palavras, por mais simples que sejam, revelam sutis segredos, dos quais, estes que são como nós, temem comentar. Os mais novos, acham isso um tabu.
Mais uma vez, é o problema destes da nova safra.
Mas, aqueles que, como nós, foram forjados no passar de incontáveis eras e vidas, ah, minha bela, estes sabem o que digo.
Afinal, pra bom entendedor, meia palavra basta."

Frater Ab.´.i.´.Hayat.´. – Memórias da Noite (Texto escrito, porém ainda não publicado).

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Feliz Ostara!!




Fonte da Imagem: Internet


O Guerreiro acordou, sentiu a força do vento na janela do seu quarto, levantou-se e foi contemplar o sol.

Então, maravilhado com toda a energia do Equinócio (afinal, poucas são as pessoas que ainda conseguem sentir a mudança das estações), abriu os braços e se deixou levar.

Sentiu em cada célula do seu corpo o renascer da energia primeva masculina, o amor da mãe terra e o cantar de cada pássaro, que por alí passava, feliz com o florescer e com o alvorecer de um novo tempo.

Era Ostara, o Equinócio da Primavera.

Silenciosamente, fechou seus olhos, abaixou a cabeça e fez uma pequena oração;

"A roda girou mais uma vez, e cá estamos frente ao incognoscível, esperando o novo que vem.

Que neste novo ciclo tudo possa ser renovado, já que no ventre da mãe terra foi forjado.

E que com os cantos dos pássaros e o vento que sopra, a luz e a felicidade possa se espalhar pelos quatro cantos do universo.

Que assim seja."

Feliz Ostara!


                                                                                                     Fonte da Imagem: Internet

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Sobre a morte de Eduardo Campos e a banalidade da tecnologia




Bom, procurei me abster sobre os diversos posts e comentários referente a morte do presidenciável Eduardo Campos.


Mas, acho que algumas palavras se fazem necessárias, dado meu pouco conhecimento sobre diversos assuntos e sobre a vida em si.


Esta semana, a morte não apenas levou um político, que pelo pouco que pude ler a seu respeito (Não, ele não era minha opção de voto em Outubro, como passou enigmaticamente ser a de muitos), mas levou também um bom pai, esposo e ser humano.

A morte nos deu um tremendo tapa na cara e uma das mais profundas lições que pudemos ter nos últimos anos.

Por que?

Você já parou pra pensar, por exemplo, em tudo o que aconteceu nos dias que antecederam a morte do Eduardo?

Li em algumas matérias, que na noite anterior ao acidente, ele estava muito otimista e havia comemorado com a família a participação num programa de entrevistas na televisão. Eu mesmo havia visto uma entrevista com ele no Jornal Nacional. Minha esposa, teve uma pequeno insight da lição que a morte nos deu ao ficar chocada, como tantos ficam, justamente com o fato de que um dia antes ele estava alí, bem na nossa frente, carismático e de repente, bum! Ele não está mais lá e nem há mais a possibilidade de sua volta. Imagina quantos planos, quanto conhecimento, quantas lições de vida de uma hora pra outra simplesmente desapareceram na eternidade...

Entenderam?

Essa é a lição, independente do que esteja acontecendo, viva! 

Viva sua vida intensamente, como se não houvesse amanhã...

“É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar pra pensar, na verdade não há...” já nos dizia Renato Russo. e Como na foto deste post, em Romanos.

Essa é uma lição tão antiga, e ao mesmo tempo tão necessária nos dias de hoje, em que a tecnologia e a banalidade nos suplantam a única coisa que nos tornam humanos, o amor, a simpatia pelo próximo, a delicadeza e a sensibilidade de sentir (não viver) suas dores, amores, alegrias, tristezas, conquistas e derrotas.

E no entanto, o que vimos com este acidente foram brincadeiras (de muito mau gosto), fofoca (juro que detesto isso) e muito poucas reações verdadeiras de solidariedade com a família, não só do Eduardo, mas de todas as outras pessoas que estavam com ele no momento fatídico.

Confesso que senti uma vergonha enorme de ler certos posts e comentários nas redes sociais, nos sites de jornais e outros.

O que a vida e a morte nos pedem é simples...

Viver, intensamente, amar o dobro.

Quantas vezes você largou o celular ou o computador para dizer a alguém que te ama, o quanto você o(a) ama também?

É por estas e outras lições que dedico a maior parte do meu tempo livre a passar com a minha família, meus filhos, minha esposa, afinal, não sei o que acontecerá nos próximos minutos, muito menos amanhã, pois um dos grandes mistérios do bem viver está justamente nisso, no mistério, na incógnita.

Procuro sempre passar estes valores aos meus filhos, principalmente neste momento em que o mundo passa por mudanças e acontecimentos tão profundos. 

Doenças, guerras, acidentes e clima. Anda tudo tão invertido e maluco, que a única coisa em que consigo pensar é em amar, e passar isso para aqueles que ficarão quando eu for pro outro lado da ponte com a “Ossuda” (parafraseando a escritora Márcia Frasão).

E você, no que tem pensado? Já pensou em deixar esse seu egoísmo de lado, e dizer as pessoas o quanto se faz importante e urgente amar?

Tenham todos uma ótima sexta!

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Da Iluminação e do Icognoscível




O Guerreiro estava sentado no alto de um morro, próximo a cidade.

Era  noite, de céu limpo e ele observava as estrelas, absolvido em suas indagações.

Ao notar toda aquela maravilha perante seus olhos, invariavelmente o Guerreiro se perguntou...

“Deve existir uma força criadora, que nos moldou, nos projetou e tudo o mais ao nosso redor”

Então, direcionou seu pensamento para mais longe, para além do que se pode ver, imaginando que o universo manifesto e o imanifesto fucionam como uma cebola, em camadas sucessivas de existência, uma próxima e logo acima da outra, com alguma interação entre elas.

“É claro, deve existir um certo ‘governo’ ou co-criador em cada uma destas camadas ou existências, ou ainda dimensões para ser mais exato...”

“Um Deus criando outro e sendo ao mesmo tempo criado e direcionado pelo superior, conforme se vai subindo pelas camadas, agora cada vez mais sutis e tênues.”

“Mas... e quando se chega na última?  - O que vem depois?”

“Quem criou aquilo que não pode ser descrito?”

Neste momento, algo aconteceu. Um flash iluminou sua mente, um turbilhão de informações jorraram de forma violenta em suas sinapses e o incognoscível pôde  então ser  “fracamente” percebido, como algo que está lá, mas que nossas mentes, ainda embrionárias, não são capazes de vislumbrar.

O mistério existe para ser contemplado, porém o maior deles, jamais será desvendado.

O Guerreiro então, em êxtase com o rompante de iluminação que o atingiu, percebeu que o Caminho Espiritual se faz justamente ao caminhar, sem questionamentos que não podem ser respondidos senão através da fé.

por Marco Antonio Damaceno.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Sobre “Happy Feet – O Pinguim”, Verdadeira Vontade, Lenda Pessoal e Thelema



       Ontem assisti (já perdi a conta de quantas vezes o vi) o filme de animação “Happy Feet – O Pinguim” que conta a história de Mano, um Pinguim Imperador, que é diferente de todos a sua volta.

        E fiquei mais uma vez admirado de ver o quanto este filme mostra, de forma clara e cristalina, o que é, como descobrir e como cumprir a nossa “Verdadeira Vontade” ou a “Lenda Pessoal”, citando Paulo Coelho, de forma que fica mais fácil para aqueles que não conhecem Thelema, entender o assunto.
Aliás, existem elementos fundamentais dentro do enredo, e que nos remete às diversas ordálias que enfrentamos ao longo do caminho, quando o seguimos de maneira sincera e livre de propósitos.

      Mano, ao nascer (e devido a um descuido de seu pai enquanto chocava seu ovo) tem um “tique” nervoso, que o faz dançar. Ele nasce com a dança enraizada no mais profundo do seu ser, é sua paixão, o que o torna marginalizado e diferente de todos ao seu redor, apegados à massa e a o costume local, onde todos os pinguins tem uma “canção” única, e que deve ser descoberta ao longo da vida.

         A canção de Mano é a dança, especificamente o sapateado.

        Mesmo assim, rechaçado, marginalizado, abandonado por todos, Mano não desiste e segue dançando. Você se lembra do que mais gostava de fazer quando criança? Você se lembra no que era bom quando criança? Você se lembra que ficava se imaginando fazendo exatamente esta coisa no futuro, ganhando a vida com isto? Pois é... provavelmente essa é a sua verdadeira vontade.

          Ele percebe o chamado quando passa pela situação com os pássaros que tentam comê-lo, ao ver a tornozeleira no pé de um deles. 

         Os elementos de Thelema começam a aparecer quando Mano, depois da formatura, e ainda seguindo seu sonho (a dança) se depara com a avalanche e a escavadeira que o tira pela primeira vez do seu mundo cotidiano, mostrando a ele que existe algo mais além da simples realidade a nossa volta. Este é o primeiro véu que nos é desvelado, o “Véu de Paroketh”.

       Mano então, já de posse deste conhecimento, ignorando os apelos em contrário, parte em busca de descobrir este algo mais. Tem início então o verdadeiro caminho do iniciado. Sim, é só uma animação. Mas basta mudar um minúsculo ponto de vista e toda a realidade a nossa volta se modifica. Experimente.

       Para não me alongar, resumo dizendo que Mano, nesta jornada épica, como Gilgamesh em sua epopeia passa por infindáveis situações e ordálias.

        Até se deparar com o derradeiro véu, aquele que nos põe a prova  para nos mostrar se somos dignos de seguir nossa Verdadeira Vontade ou se seremos só mais um no meio da multidão de cegos e zumbis.
        
       Eis então o véu do abismo.

     Mano, firme em seus propósitos, sabe o que tem que ser feito, e se entrega, completamente ao seu destino.

       Sabe de que cena estou falando?

       Sim, a cena em que ele salta para o abismo, e parte em busca do navio pesqueiro, deixando para trás seu antigo eu, se entregando profundamente , se anulando e anulando seu ego em prol do que acredita.

       No aquário o vemos como o “Bebê do Abismo” (procure saber um pouco mais sobre Thelema), um momento em que qualquer pequena coisa pode nos tornar loucos ou pode nos salvar para a eternidade.

       Eis que então, sob o olhar de seu Anjo Guardião (a menina) ele mais uma vez se entrega, entra no êxtase do caminho e... dança!

         Nasce aí, saindo do Abismo, Happy Feet, o Pinguim.

        Que então já renascido, tendo se tornado um outro ser, mais evoluído, retorna para mostrar o caminho aos seus, justamente àqueles que o abandonaram a marginalizaram.

         O resultado?

         Todos nós sabemos, sucesso. E sucesso é a tua prova!

          Se ainda não ficou claro, lembra do jovem pastor, Santiago, em o Alquimista?


         É isso, pode parecer viajem... mas sei que muitos entenderão. Basta mudar um ponto de vista e todo um novo universo aparece.

         A mensagem é clara, nunca... jamais desista de deus sonhos!


Veja o trailer do filme.
(fonte do trailer - Youtube).