quarta-feira, 6 de agosto de 2008

A verdadeira face do Mago



“A incrível história de Paulo Coelho, o menino que nasceu morto, flertou com o suicídio, sofreu em manicômios, mergulhou nas drogas, experimentou diversas formas de sexo, encontrou-se com o diabo, foi preso pela ditadura, ajudou a revolucionar o rock brasileiro, redescobriu a fé e se transformou em um dos escritores mais lidos do mundo.”


É assim que o mineiro Fernando Morais, autor de Olga, resume em poucas linhas a vida, obra e trajetória daquele que, mesmo detestado pela crítica, acabou se tornando um dos escritores mais lidos do mundo, atingindo a vendagem de 100 milhões de livros em diversos países, o Mago Paulo Coelho.


Esta trajetória é narrada fielmente, sem dó, sem margens para exibicionismo ou estrelismo no belíssimo e intenso “O Mago”.


Dizem as más línguas dos críticos de plantão que esta seria mais uma jogada de marketing para alavancar as vendas do autor, porém não é bem o que transparece nas quase 630 páginas que compõe o livro.


A obra retrata um Paulo Coelho praticamente nu. Revelando passagens de sua vida que nos fazem entender o amor e a dedicação que o mesmo tem tanto por seus leitores quanto por sua fé, sua busca espiritual, que como seus livros, abarca não só a tradição a que pertence, mas todo o planeta.


Passagens como as internações de Paulo num manicômio, suas aventuras e desventuras pelo universo do sexo e das drogas, nos mostram o menino que cresceu cativo, mas que no fundo da alma sonhava em alçar vôos mais altos, como o sonho de se tornar escritor.


Tendo sido parceiro de Raul Seixas e de outros, certas passagens deste relato chegam a chocar pela surpresa de nos mostrar um Paulo Coelho severo como no episódio em que contrata Toninho Buda como “escravo remunerado” durante o Caminho de Santiago.


Mesmo assim, ainda é capaz de nos tocar.


Trechos e imagens, como a que mostra um Paulo Coelho solitário, num banheiro de hotel comemorando apenas consigo mesmo e com sua alma grandiosa a Legião de Honra (maior comenda recebida por um escritor estrangeiro na França enquanto toda delegação brasileira o ignorava) chega a dar um nó na garganta. Pois a vitória silenciosa é a que deixa as marcas mais profundas, o êxtase mais alto. E nessa comemoração também nos comovemos e comemoramos em silêncio extasiante.


Enfim, “O Mago”, tal qual “Olga” é um livro que deve ser não apenas lido, mas aprendido, pois, como todos os livros do biografado, este também contém muitos ensinamentos, muitas lições que nos fazem refletir, e a capacidade de reavivar em nós sonhos a muito adormecidos, como a busca da lenda pessoal e o bom combate. É uma leitura sem igual e cativante.


Este livro vem para mostrar que não só da mídia e das críticas (positivas ou não) vivem os escritores, mas sim, do amor que seus leitores têm pelas obras que de seus corações brotam.


Bibliografia:


MORAIS, FERNANDO. O Mago. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2008.

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M.