quinta-feira, 29 de abril de 2010

Série Enteógenos - Datura ou "A Erva do Diabo"



Quem nunca sonhou e viajou longe lendo os escritos de Castaneda?


Eu mesmo, a partir do momento em que terminei a leitura do "A Erva do Diabo" fiquei encantado e disposto a descobrir toda a verdade por trás do uso das plantas de poder, alucinógenas, plantas mestres ou como são chamados hoje nos meios acadêmicos, os Enteógenos.


Mas, a primeira vez em que li a respeito do uso de drogas e outras substâncias e espiritualidade foi no livro "Tratado Elementar de Magia Prática" do Papus.


Depois, minha aproximação se deu mais profundamente com os escritos de Crowley e RAW (Robert Anton Winston).


Antes de continuar, vamos esclarecer o que é Enteógeno.


Segundo o Wikipédia (minha fonte preferida de pesquisa) :


"Enteógeno (ou enteogénico) é o estado xamânico ou de êxtase induzido pela ingestão de substâncias alteradoras da consciência. É um neologismo que vem do inglês: entheogen ou entheogenic, tendo sido proposto em 1973 por investigadores, dentre os quais se pode citar Gordon Wasson (1898-1986).

A palavra enteógeno, que significa literalmente "manifestação interior do divino", deriva de uma palavra grega obsoleta, da mesma raiz da palavra "entusiasmo", que refere à comunhão religiosa sob efeito de substâncias visionárias ou à ataques de profecia, e paixão erótica. Entretanto este termo foi proposto como uma forma elegante de nomear estas substâncias, sem taxar pejorativamente costumes de outras culturas (ver Medicina indígena).

O uso de plantas (ou fungos) para alteração da consciência e percepção é uma realidade mundial e milenar. Até mesmo animais usam plantas com atividade psicotrópica, como é o caso de javalis e primatas que cavam para conseguir as raizes do poderoso eboka. Esses seres, são considerados pelos usuários, como seres divinos e professores espirituais. Entre as plantas, alguns dos enteógenos mais conhecidos são Ayahuasca, Jurema, Cânabis, Yopo, Peiote, Ololiuqui, Datura. Entre os fungos, Psilocybe, Amanita.

Observe-se que incluem nessa relação plantas com substâncias que possuem efeitos farmacológicos distintos . A Cannabis (Cannabis sativa sp) por exemplo com suas múltiplas formas de preparação Bangue (Bhang), Haxixe, etc. se enquadra nessa categoria por seu uso étnico (religioso - medicinal) em algumas culturas da Índia, da Jamaica e de algumas tribos africanas, mas é considerada por alguns como um sedativo euforiante ou seja um psicotrópico com efeito depressor no sistema nervoso com propriedades diferenciadas deste grupo dos tranquilizantes, análogas talvez às que explicam as diferenças entre dois elementos ativos extraídos do ópio, a Heroína e Morfina.

Ou seja, toda substância piscoativa que produza êxtase passível de ser guiado, seja por cânticos religiosos, rituais, sexo divino, etc, pode ser chamado de Enteógeno. Este é o caso da Datura, uma plantinha que passa despercebida pela maioria das pessoas e que é mau compreendida por quem se arrisca a utilizar seu poder de forma recreativa.




Vamos falar um pouco deste poderoso aliado.

Mais uma vez, recorro ao Wikipédia: 

"DATURA - A origem do nome vem do hindu "dhát", um veneno preparado com plantas, e "tatorah", entorpecente. Plantas desse gênero e de alguns outros gêneros de Solanáceas apresentam compostos com propriedades alucinógenas, o que é conhecido desde tempos imemoriais. Povos primitivos, tanto da Eurásia como do Novo Mundo, fizeram intenso uso dessas propriedades em rituais místicos e religiosos, bem como para fins medicinais; outros usos tinham intuito criminoso, visando entorpecer as vítimas para as roubar ou matar.

Os efeitos alucinógenos incluem visões e sensações que eram tidas como formas de comunicação com os deuses. Curandeiros e adivinhos buscavam inspiração nessas visões. Ritos de iniciação, bem como de passagem de condições de crianças para adultos, envolviam o uso de preparados dessas plantas. Na região de Bogotá as viúvas e os escravos dos guerreiros mortos recebiam uma bebida com extratos dessas plantas, que as colocava em estado de torpor, de modo a serem enterrados vivos com os seus senhores[carece de fontes]. Plantas dos grupos mencionados não são substitutivas de plantas que fornecem drogas, como maconha, papoula ou coca, pois ao lado do efeito alucinógeno, existe um forte efeito tóxico, e uma "viagem" com Solanáceas frequentemente não tem retorno."

A Definição de Don Juan: "-- A erva-do-diabo tem quatro cabeças; a raiz, a haste e as folhas, as flores e as sementes. Cada qual é diferente, e quem a tornar sua aliada tem de aprender a respeito delas nessa ordem. A cabeça mais importante está nas raízes. O poder da erva-do-diabo é conquistado por meio de suas raízes. A haste e as folhas são a cabeça que cura as moléstias; usada direito, essa cabeça é uma dádiva para a humanidade. A terceira cabeça fica nas flores, e é usada para tornar as pessoas malucas ou para fazê-las obedientes, ou para matá-las. O homem que tem a erva por aliada nunca absorve as flores, nem mesmo a haste e as folhas, a não ser no caso de ele mesmo estar doente; mas as raízes e as sementes são sempre absorvidas; especialmente as sementes, que são a quarta cabeça da erva-do-diabo e a mais poderosa das quatro".

Enfim, quero agora contar uma experiência vivida por mim com  a Datura, aliás, uma das mais profundas e significativas que já tive a oportunidade de viver.




A Experiência

Desde criancinha tenho ouvido falar do tal "Chá do Lírio" e de suas propriedades alucinógenas e de deixar qualquer um louco pro resto da vida.

É claro que, quando se é criança ou adolescente, criado numa família rígida, a primeira reação ao ouvir certos relatos é a de repulsa ou medo. E foi assim comigo. Sempre tive uma grande repulsa por alucinógenos e outros do gênero.

Mas, quando se está disposto a conhecer a verdade  - e a verdade vos libertará, já dizia um grande mestre - então tem que se estar disposto a ir fundo em suas pesquisas e práticas. E, sou fiel partidário do iluminismo, ou seja, não expresso opinião enquanto não experimentar em mim mesmo. Afinal, o que pode parecer num momento bom para mim, pode ser ruim para outro e vice-versa. Portanto, sigam a regra: "SE NÃO CONHECE, NUNCA EXPERIMENTOU, ENTÃO NÃO EXPRESSE OPINIÕES BASEADAS EM OUVIR FALAR, OU QUE FULANO FALOU". Além de ser feio e antiético, expressa uma verdade que não é sua.

E foi assim que após ler Castaneda pela primeira vez, decidi direcionar minhas pesquisas para um caminho, digamos, mais voltado para a Terra e a tudo o que ela tão gentilmente nos fornece.

Neste caminhar experimentei diversas substâncias e uma delas foi a Datura ou como erroneamente a chamam, o Lírio.

Tudo aconteceu muito rápido e derrepente, estávamos num grupo de 15 pessoas entre homens e mulheres, num sítio em Atibaia - interior de SP. A data não me lembro direito.

Num dos dias em que estávamos lá, saímos para comprar mantimentos e passamos por uma casa com uma árvore linda, cheia daqueles sinos ou copos tão característicos da Datura. Paramos e chamamos o dono da casa, pedimos umas folhas e ele respondeu "Xi! Pode levar a árvore inteira se quiser, é veneno puro! " .

Nos entreolhamos frente a declaração do simpático senhor e dissemos  "É essa mesma, vamos levar".

De volta à casa, preparamos dois chás, um com dezenas de folhas e outro com dezenas de flores.

Devo salientar que, hoje, após anos de experiência, sei que não se deve ter um primeiro contato com a Datura desta maneira, é muito perigoso e poderia ter sido fatal para nós. Mas, ao que tudo indica, fomos aceitos pelo elemental da planta, afinal estamos todos vivos e bem.

Digo isto porque é muito comum encontrar na internet descrições horrendas de experiências que quase acabaram em morte ou que resultaram numa loucura eterna, a tal viagem sem volta. Isso porque nestes casos os incautos utilizaram porções da planta muito menores do que a nossa.

Enfim, continuando. No primeiro dia um rapaz que estava conosco tomou um porção do chá, um desses copos de bar, eu e outro amigo nos encarregamos de guiá-lo através de um ritual e músicas apropriadas, mas a experiência dele é deveras particular e não cabe a mim contá-la aqui.

No outro dia inverteram-se os papeis. Eu e o outro amigo que guiamos no dia anterior tomamos cada um a mesma porção do chá. O que segue abaixo se passou comigo.

Quando tomei o chá, tinha um gosto amargo e um odor fétido, como um café salgado ao invés de doce. Achei estranho, mas depois do segundo gole se acostuma rápido. O que importa é que quase que automaticamente minha boca inteira ficou dormente com um gosto metálico na parte superior.

Assim que tomamos nossa porção, entramos num dos quartos da casa e fizemos juntos dois rituais de banimento - O ritual menor do pentagrama e o rubi estrela. Pedimos permissão ao elemental da planta para adentrarmos seus mistérios, mesmo que estivéssemos fazendo da maneira errada, o que valia naquele caso era o intento, e nosso intento era naquele momento inflexível, como tem que ser. Pedimos também proteção e partimos cada um para sua viagem.

Após o que considero uns dez minutos da ingestão da substância comecei a sentir os primeiros efeitos.

Primeiro senti minha pupilas dilatarem e meus olhos tomarem uma forma de balão enchendo, era como se alguém estivesse massageando meus olhos por dentro da minha cabeça, era ao mesmo tempo estranho e extremamente gostoso. Chegou a me dar um pouco de sono.

Foi então que tentei andar para ver se passava o sono, e percebi que conseguia, mas com muito esforço, pois minhas pernas pareciam chumbo, estavam literalmente grudadas na terra em que eu pisava.

Isto prosseguiu por mais ou menos uma hora, então passei a sentir frio. E embora estivesse muito calor no dia, para mim era como se eu estivesse dentro de uma geladeira. Peguei um cobertor e coloquei por cima dos ombros e consegui sentar num dos sofás.

Neste momento, percebi que estava enxergando tudo azul, era como se o mundo inteiro, tudo a minha volta fosse formado de tonalidades de um azul tão profundo que fiquei maravilhado com aquilo.

Lembro que fui falar com a pessoa do meu lado, e as palavras - embora muito claras na minha mente - não sairam. O que saiu foi como um grunhido de cachorro, algo que não dá para entender nem com muito esforço.

Senti sede, muita sede, mas não consegui beber água, apenas molhei a boca e cuspi depois.

O mesmo se passava com o outro amigo que também tinha tomado.

Num determinado momento, lembro que passamos um pelo outro, para quem estava perto e viu, balbuciamos algumas palavras que ninguém entendeu, mas, conversando depois, tínhamos certeza de termos entendido um ao outro.

Após esta constatação - já se passara umas duas horas depois de ingerir a dose - cada um escolheu um canto e deitou para seguir sua viagem sozinho.

Fomos assistidos nestas experiências por várias pessoas, dentre elas um bombeiro já preparado para o caso de algo sair errado. Mas, tudo ocorreu extremamente bem.

Em determinado momento as pessoas vinham e perguntavam certas coisas para nós como "O que você está sentindo?" ou " O que você vê neste momento?".

Todas as respostas eram anotadas em cadernos separados para comparação depois.

Por exemplo, num determinado momento lembro de ir ao quarto onde fizemos as invocações do elemental e o banimento e ficar olhando para o teto, alguém me perguntou o que eu estava vendo alí e eu respondi "O elemental que invocamos no começo da experiência está ali nos observando".

Em outro momento alguém perguntou como era o sentimento que eu tinha no momento, e eu disse "Tenho a mesma sensação que alguns dos rituais do oitavo grau da OTO passam aos seus iniciados". Devo lembrar aqui que na época eu ainda não havia alcançado este grau.

Depois desta e outras coisas senti um tremendo sono. Voltei para o meu canto da sala e deitei. Então olhando para um canto mais escuro percebi que uma luz azulada, como todo o resto, porém com um brilho estranho ia crescendo a minha frente, achei que tinha ouvido chocalhos como os maracás que os índios usam, era um som hipnótico que ia crescendo a medida que o tempo passava. Achei que tinha ouvido tambores a minha volta e fiquei na dúvida se eram tambores mesmo ou o som do meu coração, assim com os chocalhos e o som do sangue sendo bombeado pelas veias e artérias. 

Mesmo assim era uma sensação de intensa paz e prazer. Me entreguei, a luz azulada aumentou e os sons também, senti que alguém estava ao meu lado, afagando minha cabeça, olhei e não vi ninguém, apenas um vulto alaranjado, com uma luz muito suave ao seu redor. Fechei os olhos e dormi. Foi um sono muito tranqüilo e com sonhos muito bons que me trouxeram uma grande sensação de nostalgia e bem estar. 

Quando acordei, estava com minhas energias renovadas e cheio de vigor  - aliás, uma das características mais marcantes deste aliado.

Fizemos mais um banimento e agradecemos por termos sido aceitos de forma tão carinhosa por um aliado que pode matar aqueles que se aventuram em seus domínios sem o correto propósito e intento.

Relatei esta experiência aqui como uma forma de alertar que nem tudo é o que parece, e que com tantos comentários a respeito da liberação do Daime e do uso de outros enteógenos rolando por aí, estou prestando um serviço mostrando como a coisa realmente é quando utilizada corretamente.

Mas, deixo também um aviso de que brincar ou utilizar esta ou qualquer outra substância enteógena, como o Daime, a Maconha, Haxixe, Coca, LSD e outras como mera forma de recreação pode trazer graves consequências, inclusive a morte.

Abaixo segue um link contendo uma lista dos enteógenos mais conhecidos e seus efeitos tanto do ponto de vista ciêntifico quanto espiritual: http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_enteógenos


14 comentários:

  1. Olá seu blog é um dos meus favoritos.
    se puder siga-me tbm conheça minha página.

    www.teiamagica.blogspot.com


    bjinhos magicos

    Luciana

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  2. Perfeito, não é apenas um relato sobre as plantas de poder, mais ainda, é ser/estar a terra como elemento primordial da vida e respeitar tudo que nela está. Beijos...

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  3. Muito bom meu amigo... gostei muito da experiência.

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  4. Camila bernardini7 de maio de 2010 13:34

    Não vou falar da experiência em si, mas do que escreveu logo no começo ao explicar por que experimentou. Eu concordo plenamente que só podemos opinar por algo quando realmente vivenciamos, experimentamos isso. Julgar antes é um grande erro. Se todos pensassem dessa forma não existiria tanto preconceito com as coisas. Acho que cada um sabe o que fazer por si!
    parabéns pela coragem!

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  5. naum sei como escreve mas se pronuncia laika.
    oque é laika ou lika ou leika ?
    é um demonio ou oque ?
    qual a historia completa dele ou dela .. me manda oque vc tiver ...
    me responde por favor ....

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  6. Para Fabiana: Fabiana, por favor, envie-me um e-mail no marco.damaceno@gmail.com com todas as suas dúvidas que eu respondo sim, ok?

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  7. como se prepara o cha quantas folhas ou flores sao presisas

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    1. fiz com duas flores e ficou bem forte, com muitas alucionações não aconselho fazer o chá.

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  8. Para Anônimo: Tudo depende da pessoa que irá utilizar o chá, na verdade se usa a planta inteira, cada parte servindo para um tipo de "experiência e/ou visão". Mas, para as folhas, no máximo 5 folhas ou 5 flores, afinal, é veneno, e tudo o que é demais pode se tornar prejudicial. Não é recomendável utilizar o chá para mera recreação ok?

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  9. o cha seria para meditasan eu fiz com umas 15 ou vinte folhas mais nao deu nenhuma esperiencia so visao borrada e uma leve trip que vai e volya nesse caso fasso o cha com mais folhas

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  10. Anônimo, não precisa aumentar o número de folhas, o que você pode fazer é deixar ele mais concentrado, fervendo ele por mais tempo.

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  11. Boa noite, Marco. Não querendo lhe desapontar, mas vocês não tiveram uma experiência com a planta citada por Carlos Castaneda em seus livros. A planta citada por Castaneda é a datura stramonium, suas flores crescem para cima e a planta é de pequeno porte, geralmente crescem próximos a córregos e rios. Seus frutos são espinhosos e suas folhas viçosas.

    http://pt.wikipedia.org/wiki/An%C3%A1gua-de-v%C3%A9nus

    http://historia-ancestral.blogspot.com.br/2012/05/erva-do-diabo.html


    Vcs tiveram uma experiência enteógena com o Floripôndio (brugmansia arbórea), pequena arvore perene cujas flores crescem para baixo. As substancias ativas das duas plantas são muito parecidas, mas as experiências extremamente opostas.

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Brugmansia_arborea

    O floripôndio é a planta citada por Samael Aun Weor em seus livros.

    O elemental do floripondio é sábio, por isso vcs tiveram uma experiencia tranquila...
    agora... se fosse com a datura stramonium... o bicho ia pegar entre voces!!!

    paz.

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    1. Oi Gabriela, gostaria de agradecer pela excelente explicação, confesso que as vezes nos falta uma base para pesquisas. Vou dar uma olhada em todos estes links que vc indicou! Paz e Luz!

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