domingo, 26 de janeiro de 2014

A Crônica do Fluxo.

 Fonte da imagem: Internet


Cara, estes lances da molecada de hoje me deixam cada vez mais estarrecido com a probabilidade de não haver futuro para essa juventude...

Vamos lá.

Hoje, na virginia ferni, a rua aqui na frente do prédio onde moro, que nos finais de semana se transforma no palco de batalhas épicas entre os frequentadores do funk, ou melhor, do fluxo, está rolando um pagodezinho, até bem agradável de se ouvir.

Porém, como as baratas, que gravitam em torno da merda que os outros deixam, a molecada do fluxo veio chegando, devagarzinho, e se acomodando nos poucos espaços abertos deixados pelos carros estacionados de forma irregular nos estacionamentos em frente aos prédios (o meu imclusive).

Enfim, agora a pouco saí com meu filho, o Nicolas, para comprarmos um refrigerante, afinal a patroa Tatiane Vieira acabou de fazer uma deliciosa torta para degustarmos (chique não?!).

Logo de cara uma briga (ou quase isso) na esquina - em frente a base móvel da PM, que está alí para garantir a paz e o sossego dos moradores - nos chamou a atenção e a frase mestra, a palavra chave que abre as portas do submundo do rolê é o "fluxo".

- Porra cara! "Ce" vai arrastar desse jeito no flulxo?! Tu tá louco caralho?! - Indagou o "cidadão" ao amigo, que estava visivelmente drogado, alucinado com a latinha com lança perfume balançando frenética em sua mão direita...

"Vamos Nicolas, melhor a gente não ver isso aqui não, afinal pode sobrar pra gente que não tem nada a ver" - eu disse tentando tranquilizar o garoto que já olhava assustado para a cena deprimente.

"Pai, que cheiro é esse?" - perguntou meu filhote... "Não é nada filho, é Maconha" - eu disse, como se ele fosse total conhecedor do assunto... e apontei pra um outro grupo, onde estavam todos fumando um bom baseado... "Isso é o que eles estão fumando naqueles cigarrinhos ali..."

Ainda assim, seguimos nossa épica trajetória, rumo ao bar onde compraríamos o néctar da criançada. Foi então que algo me chamou a atenção, mais que o normal: Duas garotas, aparentando ter não mais que 13 anos de idade, vinham em nossa direção, seguindo para o "fluxo". Ao passar por nós não pude deixar de notar no palavreado.

- Caralho mano! o Jorgiunho é foda no "fluxo" disse a menina A.

- Porra, nem fala... e hoje!? Será que vai rolar um fluxo da hora? Olha a galera ali ó!- disse a menina B.

Porra! Porra! Fluxo de cú é rola!!!

A primeira coisa que me veio a mente e que acabei soltando para um Nicolas que olhava tudo tentando entender o que as duas entorpecidas diziam (sim... elas estavam cada uma com uma lata com lança perfume, no fluxo psicodélico de quem saiu de casa falando pra mãe que ia pra igreja, ou não... ). "Essas pirralhas se preocupando com o fluxo do funk, enquanto na minha época, o único fluxo que preocupavam as meninas dessa idade, era o fluxo menstrual..."

"O que pai?!" - perguntou o Nicolas...

"Nada filhote, nada com o que você tenha que se preocupar por enquanto..." - eu disse.

PS: Agora, enquanto escrevo esta pequena crônica, a base móvel da PM já foi embora, deixando em seu lugar uma mísera viatura de ronda escolar, com apenas dois soldadinhos de chumbo. Enquanto a galera ta descaradamente se drogando. O que me dá a leve impressão de que logo mais, logo menos, o fluxo da bomba vai comer solto no rabo dessa galera.

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M.