terça-feira, 22 de março de 2016

O conceito de Verdadeira Vontade dentro da Tradição Tolteca

A Tradição Tolteca foi bastante divulgada através dos escritos do Carlos Castaneda, e dentro desta, encontramos muitos dos conceitos  de outras tradições, sobretudo com um jeito ou uma visão nova sobre aquele assunto.

A citação a seguir nos trás o conceito de Verdadeira Vontade. É um pouco longa, mas vale a pena ler e refletir a respeito.

M.

“- O que exatamente é a vontade? É a determinação, como a determinação de seu neto Lúcio de ter uma motocicleta?
- Não – respondeu ele, baixinho dando uma risada. – Isso não é vontade. Lúcio só tem caprichos. A vontade é outra coisa, uma coisa muito clara e poderosa, que pode dirigir os nossos atos. A vontade é uma coisa que o homem usa, por exemplo, para vencer uma batalha que ele, por todos os cálculos, deveria perder.
- Então a vontade deve ser o que chamamos coragem – disse eu.
- Não. A coragem é outra coisa. Os homens de coragem são homens de confiança, nobres, constantemente rodeados por pessoas que ficam em volta deles e os admiram; no entanto, muito poucos homens de coragem têm vontade. Geralmente são homens destemidos, que são dados a praticar atos audaciosos de bom senso; a maioria das vezes, um homem corajoso é também atemorizador e temido. A vontade, por outro lado, trata de façanhas surpreendentes, que desafiam nosso bom senso.
- A vontade é o controle que podemos ter sobre nós mesmos? – perguntei.
- Pode-se dizer que é um tipo de controle.
- Acha que posso exercer minha vontade, por exemplo, negando-me certas coisas?
- Assim como fazer perguntas? – interrompeu ele.
Falou aquilo num tom tão malandro que tive de parar de escrever para olhar para ele. Nós dois rimos.
- Não – disse ele. – Negar-se é uma indulgência, e não recomendo nada disso. É por este motivo que deixo você fazer todas as perguntas que quiser. Se lhe mandasse parar de fazer perguntas, você poderia estrupiar sua vontade, tentando fazer isso. A indulgência de negar é de longe a pior; obriga-nos a crer que estamos fazendo grande coisa, quando, na verdade, só estamos fixados dentro de nós mesmos Parar de fazer perguntas não é o tipo de vontade que estou falando. A vontade é um poder. E como é um poder, tem de ser controlada e afinada, e isso leva tempo. - ... – Nossa vontade opera apesar de nossa indulgência...
...O que o feiticeiro chama de vontade é um poder dentro da gente. Não é uma idéia, nem um objeto, nem um desejo. Parar de fazer perguntas não é vontade porque precisa pensar e desejar. A vontade é o que pode fazê-lo vencer quando seus pensamentos lhe dizem que você está vencido. A vontade é o que o torna invulnerável. A vontade é o que faz um feiticeiro atravessar uma parede; o espaço; ir até a Lua, se ele quiser.
… Um feiticeiro usa sua vontade para perceber o mundo. Essa percepção, contudo, não é como ouvir. Quando olhamos para o mundo, ou quando o ouvimos, temos a impressão de que está lá e que é real. Quando percebemos o mundo com a nossa vontade, sabemos que não está tão ali, ou que não é tão real quanto pensamos.
- A vontade é o mesmo que ‘ver’?
- Não. A vontade é uma força, um poder. Ver, não é uma força, e sim uma maneira de penetrar nas coisas. Um feiticeiro pode ter uma vontade muito forte e, no entanto, pode não ver; o que significa que somente um homem de conhecimento percebe o mundo com seus sentidos e com sua vontade, e também ‘vendo’.”- Carlos Castaneda (Uma Estranha Realidade)

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