quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Lamentos de um moribundo - parte 1



Silenciosa como a brisa que nos refresca, a morte vem no vento em busca das almas para ceifar.

Sem que se perceba, suas mãos geladas nossas almas tocam, e já não sabemos mais em que mar navegar.

Perdidos em devaneios, em nós provocados, para nos dar a ilusão de que tudo se acaba, ela, a morte, com sua capa, tenta velar-nos a verdade que nos escapa; Sim, somos todos imortais! Todo homem e toda mulher é uma estrela!

Cada um, à sua maneira, entende este mistério, como um dom, como uma maldição ou como um sacrilégio.

O fato é que, seja lá quem formos, um dia, cedo ou tarde, ela, bela como a mulher que sempre amamos, vem, sorrateira como a serpente do paraíso, e com seu doce toque, há de nos levar.

A morte é assim, para uns é amiga, pra outros é carrasco. Sua presença é inegável, seu toque é certo, sua dor, nossas lágrimas, seu prazer, nosso medo, sua certeza, nossa dúvida.

Morte que de noite vem em silêncio, e que com um estrondo nos arranca das mãos amadas, um último desejo a ti imploro; Leva-me rápido, com toda a dor que eu puder sentir, assim, quando do outro lado do grande mar da inconsciência eu estiver, possa através de sua brisa, lembrar de cada prazer, cada dor que neste mundo eu vivi.

Assim seja!

Sim, que assim seja!